Um dia (a)normal

sexta-feira, abril 22, 2016

Era um dia como qualquer outro. Acordei. Senti aquele vento da manhã sobre minha pele quando abri a janela. Vi o mesmo vizinho sentado na sacada de sua casa. Ele fazia o mesmo todos os dias. Fui me arrumar para mais um dia de trabalho. Hoje seria um dia normal. Foi o que pensei desde o momento em que abri os meus olhos. Mas, eu estava enganada. E logo percebi quando notei que na escrivaninha da sala havia um bilhete. Poderia ser mais um daqueles que ele sempre deixava para me desejar um bom dia. Mas, normalmente ele o deixava pendurado na geladeira. Não era rotina. Porém se tornou costume, mania, hábito, deixar pendurado na geladeira.
Peguei o bilhete. E no instante que se seguiu pude ler as poucas palavras que ali continham. Palavras que se fixaram na minha mente - Preciso conversar com você, hoje, ao meio dia. - Foram essas as palavras que me fizeram perder o chão. O que poderia ser? O que seria tão importante que necessitaria de hora marcada para que eu pudesse saber? Foram apenas oito palavras. Oito palavras que me fizeram ficar sem saber o que fazer.

Terminei o meu café. Peguei minhas coisas. E segui. Um pouco desorientada. Imaginando o que poderia ser dito a mim ao meio dia. Imaginando mil coisas. Imaginando o que eu poderia ter feito de errado. Afinal,  ele só poderia estar querendo o fim. Ou não. Ele havia me conhecido exatamente como sempre fui. E, apesar dos anos, eu não havia mudado. Mas, o que, então, ele queria me falar? Qual a necessidade do bilhete se ele poderia simplesmente me ligar ou me dizer logo? Os pensamentos me perseguiram as duas horas seguintes, até que vi uma mensagem surgir no telefone. Era ele. - Me encontre no restaurante em que nos conhecemos. - Fiquei tão nervosa que não havia notados que no bilhete não dizia onde eu deveria ir. E, então, fiquei ainda mais nervosa.

Poderia ser qualquer coisa. Poderia até ser algo bom. Mas, eu não conseguia pensar em nada bom. Nada. E isso me deixava ainda pior. Nas horas seguintes parecia que o tempo estava me testando. Ele não passava. Ou melhor, passava como tartaruga. Passaram-se as dez. As onze. Até que chegou o momento exato para que pudesse correr para o restaurante. O tal restaurante. Aquele onde nos esbarramos pela primeira vez. Onde derramei vinho naquele que viria a ser o meu mais fiel parceiro. Dois anos inteiros passaram pela minha cabeça. Dois anos muito bem vividos. E me senti estranha por estar pensando em tudo. Era esquisito. Mais ainda porque eu não sabia o que viria a acontecer. E isso me deixava aflita. Não saber o que ele iria falar me deixava nervosa. Não sabia qual seria minha reação. Não sabia se iria chorar. Se me sentiria mal. Quando me deparei com a fachada do restaurante, exitei em continuar a andar. Pensei duas vezes, como minha mãe costumavam dizer. E fui.

Surpresa. Foi o que escutei no instante em que pisei no local. Estavam todos ali. Minha mãe. Amigos de uma vida. Parentes. Colegas. E ele. Bem no meio. Na minha frente. Com um sorriso todo bobo de quem passou a manhã planejando mil coisas. Olhei para todos os lados. Até que pude ver o que estava escrito no painel pendurado de um lado a outro do restaurante com balcões em volta. E ele se aproximou. Todo meigo. Olhou em meus olhos com um sorriso de satisfação, me abraçou e disse: - Feliz aniversário! - E aí me dei conta de que aquele dia, que deveria ser normal, era dia dezesseis. Dia do meu aniversário.

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16 comentários

  1. Ah, vá se ferrar com uma história dessa. Achei que ia acabar em choro kkkkk que coisa. Gostei muito, realmente quebra a expectativa que tinha da história por terminar de forma simples mas incomum. Abraços.

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    1. Confesso que achei que fosse ler um comentário de desagrado pelo texto quando vi suas primeiras palavras haha mas, ufa! Você gostou. Fico feliz em saber. Preciso dizer que não sabia se postava ou se mudava o fim justamente pelo texto causar uma expectativa no começo e na verdade não ser nada demais no final, rs.. Enfim, muito saber que alguém gostou *-*

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  2. Desculpe pelas palavras, mas é como se fossem para o tal rapaz que fez essa sacanagem. E convenhamos, que desespero por um simpes bilhete haha muito boa a história. Faça mais assim que eu sempre lerei.

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    1. Ah, sim.. Hahaha E concordo, um desespero desnecessário mesmo, rs. Muito obrigada!!! Espero de verdade que volte mais vezes *-*

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  3. Que tipo de pessoa deixa um bilhetes desses?? A ansiosidade seria tanta que passaria a manhã na porta do restaurante.

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    1. Kkkkk eu também não aguentaria esperar até o meio-dia... Ficaria muito ansiosa e curiosa haha

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  4. Que bom que o final não foi tenso, só o inicio do texto mesmo! rs
    Beijos

    http://senhoritamarmelada.blogspot.com.br/

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    1. Hahaha só o começo!!!!
      Beijão ❤️❤️

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  5. MEU DEUS DO CÉU GURIA, eu fiquei o texto todo imaginando um término dramático, fiquei rogando mil pragas nesse sem coração que imaginei e no fim era algo lindo. Me senti enganada! ahahah. Amei o texto, amei sua escrita. Parabéns.

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    1. Desculpe por ter te enganado kkk mas, fico feliz que tenha gostado!!! E mais feliz ainda por seu elogio a minha escrita. Muito obrigada!! Adoro seu Blog!! ❤️❤️
      Beijão *-*

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  6. hahahaha que textoooo incrível! Fiquei esperando um desfecho triste, mas me surpreendi, continua escrevendo, você arrasaaaa! :D :D

    Beijinhos
    http://www.peixinhogeek.com.br

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    1. Acho que acabei conseguindo o que eu queria dando um final completamente diferente do que parecia que tudo terminaria, rs. ❤️ muito obrigada, moça!!
      Beijos *-*

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  7. NOSSAAAAA! Hahahah
    Realmente não estava esperando um final como esse, hahaha
    Ameeeeei, adorei seus textos ❤️

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    1. Hahaha fico feliz então por ter conseguido surpreender com o final diferente do que parecia ser, rs. Muito bom saber que gostou, isso me encoraja a postar mais textinhos meus. ❤️ obrigada!! Beijos *-*

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  8. Socorro! Não esperava por esse final, pra mim, ele iria dizer que alguém morreu, que queria terminar, sei lá.. que fofo!
    Sucesso.
    Beijinhos,
    http://pensamentosvoados.blogspot.com.br/

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    1. Kkkk acredito que, se eu não tivesse escrito o texto e chegasse a ler, também não esperaria por esse final HAHAHA mas, as vezes é bom dar uma mudada e surpreender os leitores kk ❤️
      Beijos *-*

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