Dezoito anos já se passaram. Fico impressionada com a rapidez dos anos. Parece que foi ontem que eu estava completando quinze anos e, praticamente, todos diziam que, a partir dali, tudo seria muito rápido até os dezoito. E não é que foi mesmo, rs. Lembro-me da minha infância. Dos lugares que já morei com minha mãe; das pessoas que conheci. Nunca fui muito sociável. Quando criança, então. Era difÃcil alguém tirar uma foto minha e eu sair sorrindo. Antipatia? Talvez. Mas, cresci assim.
Não era de ter muito amigos. E os que tinha, eram mais velhos do que eu. Nunca fui de confiar em todo mundo e sair contando sobre minha vida. Também não gostava de brincar como as outras crianças, sabe? Gostava de ter minhas bonecas e ursos. Mas, preferia cuidar e deixá-los quietos à brincar e acabar estragando. Sempre gostei de colecionar e guardar. Lembro que com treze anos, sismei que queria uma boneca de presente.
E ganhei. Não era para brincar. Era só para tê-la mesmo. Sem falar no meu mundo imaginário. Onde tudo era como eu queria.
Não mudei muito. Ainda gosto de bonecas e ursos. Tenho os meus e não dou para ninguém. Não tenho muitos amigos, mas conheço muitas pessoas. Aprendi com o passar dos anos a confiar nas pessoas certas, por mais que as vezes não sejam. Mas, estou um pouco mais sociável. Ainda podem me achar antipática. Afinal, não sou de sorrir para todo mundo. Também não sou muito paciente e. muitas vezes, posso ser grosseira. Não me leve a mal. Mas, apenas não aceito qualquer coisa.
É estranho imaginar todos esses anos. Sinto que ainda não encontrei meu lugar e que ainda vou me decepcionar com as pessoas. Sou tão complicada que, fica difÃcil alguém chegar e ficar depois que me conhece. Mas, ainda tem gente que insiste em tentar me entender e continuar do meu lado. Esses são os corajosos. Fico pensando em todas os momentos que já vivi. Nos lugares que conheci. Nas mudanças que passei em minha vida. Tudo foi tão surreal. Coisas incompreensÃveis. Mas, que de certa forma me fizeram crescer de alguma maneira.
Hoje, posso não ser a melhor pessoa do mundo. Posso não ser a mais legal, mais inteligente e mais normal. Mas, sinto que sou uma pessoa melhor do que eu era há um ou dois anos atrás. Não que eu tenha crescido o suficiente e queira ser a dona da razão. Mas, sei que, como pessoa, meu "eu" está melhor. Quem me conheceu há anos atrás e parou de falar comigo. Caso queira voltar a falar, hoje, vai encontra uma outra Andressa. Mais madura, talvez.
Mas, não mudei muito. A essência de anos atrás continua em mim. A criança que corria para a loja de brinquedos e não descansava enquanto não mexia em tudo, ainda está aqui. Espero que, com o passar dos anos, essa criança continue por aqui. Pois nada é pior do que crescer e perder a essência, perder o espÃrito jovem.
E, tenha a certeza de que, se eu ver uma loja de brinquedos, vou querer entrar. Pode ser bobo, mas me faz bem.



